Dia 135 - 29/10/22 - Sábado - João Pessoa à Barra do Cunhaú

Acordamos cedo, em torno de 5:30, com o sol já alto. Ainda fizemos os preparativos finais e partimos, escolhendo por rota, a que levaria a península de Cabedello, ainda João Pessoa. No caminho, finalmente encontramos o Diesel comum, ou S500, apropriado para o Yete. Aproveitamos e enchemos o tanque de água e calibramos o Pneu. Segui a orientação do fabricante e calibrei em 110 libras. Notei imediatamente que o carro ficou mais duro. Já em Cabedello notamos que os prédios já diminuíram de altura e o local ganhou ainda mais ar de cidade do interior. Passamos do local de acesso a balsa, fazendo com que tivéssemos que cortar ruelas estreitas e esburacadas. Na espera da balsa, peguei lanches para todos, pois não havíamos ainda tomado café. Um caldo de cana, acompanhado de tapioca com queijo e carne de sol para mim, uma coxinha de frango para os meninos (que não gostaram) e uma empada de frango para a Adelaide que seguiu e incentivou o comportamento dos filhos, de entortar o nariz para os alimentos. Isso tem me deixado profundamente desgostoso. Atravessamos em direção a praia de Lucena, onde paramos para visitar o santuário "Igreja Nossa Senhora da Guia", conforme o zelador dela (que não permitiu que eu o filmasse explicando) é a terceira mais antiga do Brasil, e conta com o maior altar em pedra Calcária do Brasil. Em seu piso foram encontrados ossadas de antigos senhores que lá foram sepultados. 

"Os registros históricos mais antigos sobre essa igreja indicam que, no ano de 1591, na mesma colina onde se situa, os carmelitas fundaram uma primitiva capela, destinada  servir de base para catequização dos índios. O local era privilegiado, por estar num ponto elevado perto da foz do Rio Paraíba, do lado oposto ao porto de Cabedelo. Juntamente com a capela, foi também erigido um convento, que pertenceu à mesma província dos carmelitas de Recife, Goiana e Paraíba (antigo nome de João Pessoa). Passaram-se muitos anos, e o conjunto sofreu influência direta da invasão holandesa, ocorrida no século XVII. Inclusive, do promontório onde a igreja se situa, é possível avistar o Forte do Cabedelo, um dos locais mais estratégicos da época. De acordo com as crônicas de Frei Lino do Monte Carmelo, o templo atual começou a ser construído por volta de 1730. A antiga igreja foi demolida em 1763, e poucos anos depois, as obras da nova igreja estavam quase finalizadas. O responsável por esse empreendimento era o Frei Manoel de Santa Tereza, natural de Recife, e que mais tarde empreenderia uma reforma institucional na ordem carmelita da Bahia. Essa igreja, uma das mais singulares do Brasil, foi dedicada a Nossa Senhora da Guia – título que venera Maria enquanto padroeira dos navegantes. Embora não tenha sido concluída (a parte superior da fachada ficou inacabada, e as torres também não chegaram a ser construídas), ela possui seus elementos decorativos inteiramente talhados em pedra calcária – fachada, molduras das janelas, portais, e inclusive os altares. É a única igreja do período barroco do Brasil que possui o altar-mor esculpido em pedra. Ademais, na parte frontal possui cinco arcadas chamadas de ‘galilé’, uma característica de construções franciscanas nordestinas, mas que aqui foi assimilada pelos carmelitas. No século XIX, os carmelitas deixaram o local, que ficou abandonado por muito anos. Com isso, o convento foi demolido, e apenas a igreja permaneceu, conservada pelos devotos. No entanto, em tempos recentes a ordem do Carmo voltou ser responsável pela igreja, e ali permanece conduzindo todas as funções religiosas do templo". Fonte: Destino Paraíba

Após esta parada, seguimos, para alcançar um atalho, que conduzia por estrada de terra em meio a canaviais até a BR101. Terminado este trecho de estrada boa, apesar de ser de terra, chegamos a 101 e um posto de combustível. Lá conhecemos o André, violinista e Sabrina, casal de meia idade que recém começava a construir seu Motor Home. Ele me paga um café, trocamos algumas informações e nos despedimos com a promessa de um dia eu poder retribuir este café. Seguimos viagem, pois a intenção era chegarmos em Barra do Cunhaú, no restaurante Pousada Monte das Oliveiras. O asfalto, em sua grande maioria feito de concreto estava muito irregular, e com várias rachaduras, que somados (eu creio) ao fato do aumento da calibragem de pneus que fiz logo cedo, causaram intensa trepidação e impactos no Yete. Ao ponto de avisado por um caminhoneiro que passou por mim buzinando, parar e constatar que estava arrastando a sinaleira traseira do Yete, onde situa-se também a placa. Ficou totalmente danificada, porém por sorte não a perdi (dos males o menor). Ali mesmo acionamos o kit gambiarra formado por arrames, enforca gatos e fitas adesivas, para consertar o aparente e inicial caos que constatamos. Conseguimos colocar tudo no lugar, de forma aceitável, e vimos que as sinaleiras ainda funcionavam, inclusive o Led da placa que arrastou no chão e estava com a capa quebrada. Concertos e gambiarras feitas, seguimos, alcançando então o acesso a Barra do Cunhaú, na cidade de Canguaretama, da qual Barra é destrito. Estrada estreita, e nem tão boa, nos faz alcançar o vilarejo de Barra, que estivemos a 10 anos, em 2012. O local já nos trazia lembranças. Em um trecho estreito, onde os fios estavam baixos em torno de um metro dentro da pista, enroscamos estes fios no teto do motor home. Por sorte consegui perceber e parar a tempo, antes de arrebentá-los. Parei ali mesmo, trancando parcialmente a passagem (rua estreita), e acabei tirando com um rodo que carrego e que comprei em Brasília (tem sido muito útil este rodo). Arrisquei, pois não sabia da periculosidade deste fio, mas imaginei, que estando eles baixos daquele jeito, à altura das pessoas e pedestres, não deveriam oferecer risco de morte, mesmo assim, creio que arrisquei. Seguimos até quase o final da rodovia, onde o Rio Catu, divide Barra de praia de Sibaúma. Neste local há balsinhas de madeira, empurradas pela força humana que atravessam os veículos de um lado a outro, por R$ 20,00. Um local muito lindo, que estava na minha lembrança de 10 anos atrás. No restaurante e pousada Monte das Oliveiras fomos recebidos pelo Júnior, proprietário, muito querido e atencioso, que nos acolheu. O preço da diária foi de R$ 60,00, com água, luz e a estrutura a disposição. 

 

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