Dia 149 - 12/11/22 - Sábado - Monte das Gameleiras à Cabaceiras


omo tem sido aqui no Nordeste, despertamos cedo, porém pela primeira vez, ao abrir a janela de nossa "casa", o clima se mostrava muito parecido com a serra gaúcha, com chuva, cerração e frio. Afinal estávamos nos "alpes" Rio Grandenses do Norte. Logo cedo, atualizei o diário e ainda antes da partida de Monte das Gameleiras, peguei a máquina fotográfica e caminhei pelas ruas da pequena cidade, buscando "tackes" do cotidiano de uma pequena cidade do sertão. Alguns moradores locais, os mesmos que no dia anterior nos recepcionaram, vem se despedir, enquanto carrego o Yete com água de uma torneira na praça da cidade. Senhora Nativa, Senhor Rinaldo, Geri Adriano e Expedito. Cada um com sua história, mas em comum, exceção ao Expedito, o fato de terem vivido a vida neste local e nada conhecerem do mundo. Partimos, deixando Senhora Nativa triste, pois como ela mesmo diz, se afeiçoou rápida e fortemente ao Davi. Já na altura de São Bento, cidade vizinha, e também nas alturas, acessamos um "atalho", que percorria 8 km em terra, com relativa boa estrada, até a divisa da Paraíba. Estávamos no interior do interior e poucos viajantes passam por estas estradas. Mas eu particularmente acho que nestes locais está o melhor da viagem. Nos despedíamos de Rio Grande do Norte e entrávamos na Paraíba, e neste exato local iniciava o asfalto, que neste percurso e totalmente no interior, conferia uma paisagem cênica diferenciada e incrível. Difícil imaginar que estávamos no. Na cidade de Aruana, a primeira da Paraíbana, um barulho de ferro arrastando nos fez parar. O Cano de descarga havia caído. Impressionante, como depois de tantas melhorias (a última no mecânico Gian), ele ainda quebra do suporte e cai. Me pergunto se isso ocorre com todas as F4000? Prendi-o novamente com o arame que levei, item necessário para as também inevitáveis necessidades de cambiarras que temos no trajeto. Aruana, tem diversos comércios com menção a Onça. Algum fato desta cidade se relaciona a este animal. Ainda em Aruna, encontrei um lava jato que passou um bom jato de água na parte de baixo do Yete, um procedimento que a muito eu já esperava fazer, para tirar os resquícios de maresia adquiridos nesta temporada a beira mar. Lá encontrei, em um terreno baldio ao lado, um ônibus escolar americano abandonado e completamente destruído pelo tempo. Uma pena. Estava servindo de morada para um senhor que em busca de oportunidade havia a saído de Natal. Terminado a lavagem do Yete, fui roubado pelo salafrário dono do lava jato, que quis cobrar 50,00 só para passar uma água. No fim, com meu pedido de desconto fez R$ 40,00, mesmo assim, uma facada que me deixou muito puto. Mas ingenuidade minha, acreditando sempre na boa fé deste povo do interior, não solicitei o preço antes. Enfim, quase desejei mal a ele, mas logo não consegui prosperar neste pensamento, e na verdade desejei que ele fizesse bom uso do valor a mais que me cobrou. Já era 12:08 quando saímos do lava jato, e a fome apertava. Em Cacimba de Dentro encontrei um excelente restaurante que cobrava R$ 13,00 por prato. Pedimos dois, e comemos nós quatro. Comida para todos os gostos dos exigentes paladares da família. Feijão para o Artur, com farofa, Arroz, massa e carne para o Davi, Macacheira e salada para a Adelaide, e Arroz, feijão, carne, macacheira e salada para mim. Estava realmente muito caprichado. Durante o almoço se aproximam Adilson e Eduardo, este primeiro subscretário de esportes do município (fico sabendo no final). Sua esposa vereadora. Querem saber de nossa viagem, do motor home, da vida na estrada e planos. Ambos motociclistas, mas Eduardo com um curriculum bom de viagens, incluindo a transamazônica. Nos despedimos trocando contatos, e na promessa de um futuro reencontro. Faço votos de surgir deste contato uma futura amizade. Faltavam ainda 170 km até Cabaceiras, por um trajeto de estradas por vezes estreitas, por vezes mais adequadas, mas com muitos altos e baixos de altitude. Na média andávamos de 500 a 600 m.a.n.m. Em Pocinhos, nos chamou a atenção o Parque das Pedras, e após a saída da cidade, uma linda igreja abandonada e depredada. Muito curioso. Parei para registrar em vídeos e imagens, esta curiosidade. Mais tarde pesquisando, descobri que ela estava no contesto de uma vila criada por um empresário junto a uma Usina de Sisal. Mais adiante, alguns metros, seguindo na estrada, foi possível visualizar a "cidade" abandonada. Seguindo a viagem, em determinada altura, pelas orientações do Google mpas que escolhemos, nos deparamos com o trecho final, 31 km,  até Cabaceiras, todo de chão. Parte dele sendo preparado para um futuro asfalto. O caminho, em meio ao sertão, pedras, cactus e puro sertão, ficou mais claro o do porque esta região é escolhida como cenários para tantas produções cinematográficas. Neste momento, no horizonte, o sol já começava a se pôr. Chegamos finalmente ao letreiro famoso, com a inscrição Roliude (Cabaceiras se intitula, a Roliude do Nordeste). O Por do Sol com o letreiro se mostrou magnífico. Entendi o motivo da localização do letreiro. Fizemos maravilhosas fotos. Dali, em busca de um local, nos instalamos na avenida do centro "histórico", onde as películas são rodadas. Uma Kombi, do projeto @kombinando_novos destinos, do casal Sara e Lavô (do RGN), que já desde ontem haviam chegado, estava lá. Conhecemos também a secretária do turismo, Mércia Francielle Vieira de Farias. A cidade realmente é encantadora e respira o ar do cinema. Tudo gira em torno destas produções, desde o capricho e cuidado com o local (super limpo), até letreiros, inscrições e referências as produções, em especial ao Auto da Compadecida, o mais famoso sucesso rodado aqui. A respeito da limpeza da cidade, conhecemos a Senhora Maria, que acorda 3:30 da manhã para varrer a cidade, como funcionária da prefeitura. Também foi figurante em alguns filmes. Mora ao lado da famosa "Padaria" do filme. Jantamos cachorro quente, e nos recolhemos para no dia seguinte conhecer melhor este canto do Brasil. 






























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