Dia 151 - 14/11/22 - Segunda - Lajeado do Pai Mateus à Caruaru


Já, logo cedo, após terminado o preparo do chimarrão e devidamente acomodado para trabalhar me meu notebook, escutei o badalo, longe, característico das criações no interior do Nordeste. Eram vários, que conferiam ao som produzido, apesar de totalmente aleatório, uma agradável harmonia. Aliás, o conjunto da obra trazia esta sensação de paz, bem estar e harmonia. A paisagem, a hora do dia, o canto dos pássaros, o caminhar da criação, o silêncio e o conjunto de sinetas davam o tom calmante desta sinfonia que aquecia meu coração. Era uma manada de gado, buscando alimento, caminhando pelo entorno. Era hora de levantar acampamento. A noite foi muito tranquila e silenciosa, apesar de eu não ter dormido muito bem. Deixei adesivos com o pessoal do hotel, agradecendo o apoio. Também para nosso guia no Lajeado do pai Mateus, o Romero, que inclusive ofereceu sua casa, caso necessitássemos de pernoite. Deixei para ambos uma mensagem na parte de trás do adesivo. Partimos com a intenção de um primeira parada na localidade de Ribeira. Por estradas de terra, estreitas, cercada pela caatinga, com seus cactus, terra vermelha, cabritos e seus chocalhos, esqueletos de animais, uma paisagem realmente cênica, chegamos a primeira localidade que pensei ser Ribeira, mas na verdade havíamos chegado em uma pequena localidade. Mais adiante alcançamos Ribeira, com diversas fábricas de couro e artesanato. Visitamos a loja Arteza, pois tinha intenção de comprar um Chapéu, o mesmo que vi em Maceió. Lá custava R$ 90,00, enquanto em Maceió R$ 150,00. Não havia tamanho na cor que eu desejava. Acabei comprando um chinelo e uma pulseira com o símbolo da paz. Lá encontramos mais uma vez o casal Lavoisier e Sara, do @Kombinandonovosdestinos. Seguimos cada um seu rumo, sendo o nosso Caruaru, mas antes queria conhecer o "Santuário", Cruz da Virgem, local onde foi encontrado o corpo da menina Josepha, que neste Agreste de seca e sol inclemente, se perde e já sem vida é achada pelo seu pai. No local, o pai afixa uma cruz. Tempos depois, nesta cruz o pai encontra um bilhete, informando e agradecendo uma graça alcançada, atribuindo o milagre a menina Josepha. A partir daí, e lá se vão 101 anos, o número de fiéis que a seguem aumenta, ao ponto de anualmente ser realizado neste local uma procissão em homenagem a que ficou então conhecida como “virgem da cruz”. sou um grande interessado nestas manifestações de culto popular a “santos” ou figuras que espontaneamente ganham fiéis. Na Argentina é muito comum e forte o culto ao denominados “santos pagãos”, como Gauchito Gil e Difunta Corrêa. No Brasil também, mas não se expressa nas rodovias, como vemos na Argentina, com “pequenos santuários” a cada tanto no decorrer das “rutas”. Me parece que quanto mais agreste, desértico, e hostil o ambiente, mais estas manifestações de fé ganham força. É a expressão viva da fé, da garra e da esperança da população, que deposita no culto a mártires e sofridos a esperança de cura ou conquistas. E nestes locais se sente estas energias”. O "Santuário" está localizado na PB 186, a 3 km do centro de Cabaceiras (abaixo deste post a localização exata). Escolhemos involuntariamente e novamente enganados pelo Google maps, um trajeto que se mostrou muito maior que o que deveria ser. Neste trajeto, no caminho, estrada de terra, que resolvemos não pegar, aumenta nossa volta. Mesmo assim passamos pela interessante, pelo nome, cidade de Congo, as margens de uma grande barragem. Cruzamos o agreste, com a caatinga já verde em função das chuvas das últimas semanas. Estávamos na região do Cariri, a mais seca do Nordeste, passando por povoados e cidades pequenas em meio a uma dura, mas linda região. Me impressionou muito a cidade e o tamanho dos centros de compras de Santa Cruz do Capibaribe. Outra curiosidade desta região são os Toyota Bandeirantes, O perrengue, leve, do dia além dos quebra molas, foram alongados e adaptados para transportes de passageiros. O perrengue (leve) do dia foi não termos encontrado o diesel S500 (não existe em Pernambuco, e não sei o motivo). Finalmente chegamos a Caruaru e escolhemos como ponto de pernoite o centro comercial Polo, que cobra R$ 15,00, fornecendo água e Luz. Ainda caminhamos pelo centro, pois faltava 1:30 para fechar (fechava as 18:00). Crianças e nós, sasseamos vontade de uma casquinha Mac (os pequenos comeram duas). Instalados, conseguimos tomar um bom banho e fomos descansar. 

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